Rotina 'pacata', nome falso e nova família: como vivia foragido por morte da ex no Paraná que foi preso no Paraguai 30 anos após crime
Polícia do Paraguai entrega, na Ponte da Amizade, homem foragido há mais de 30 anos por ma Mais de 30 anos após o crime, a investigação que levou à prisã...
Polícia do Paraguai entrega, na Ponte da Amizade, homem foragido há mais de 30 anos por ma Mais de 30 anos após o crime, a investigação que levou à prisão de Marcos Panissa revelou que o condenado pela morte da ex-esposa vivia no interior do Paraguai, com identidade falsa, nova família e rotina considerada discreta pelas autoridades. Ele foi preso na quarta-feira (15), após ser localizado por agentes da Secretaria Nacional Antidrogas do Paraguai (Senad), com base em informações compartilhadas pela Polícia Federal brasileira. No mesmo dia, foi entregue às autoridades do Brasil na Ponte da Amizade, em Foz do Iguaçu. O crime contra Fernanda Estruzani Panissa foi em 1989 e ele estava foragido desde 1995. À época, ela foi morta com 72 facadas por ciúmes. Relembre abaixo. ✅ Siga o g1 Foz do Iguaçu e região no WhatsApp Panissa levava uma vida "pacata" na cidade de San Lorenzo, onde morava com a companheira e uma filha adulta. Ele trabalhava no comércio de ferragens e não levantava suspeitas da polícia. De acordo com as autoridades, a atual esposa e a filha não sabiam da verdadeira identidade, nem do crime cometido no Brasil. Panissa, condenado a prisão, era procurado pela Organização Internacional de Polícia Criminal (Interpol, na sigla em inglês). O g1 teve acesso ao nome que Marcos utilizava, mas não o revelará para preservar a identidade da esposa e da filha. Panissa matou Fernanda em 1989 com 72 facadas RPC / Senad Paraguai LEIA TAMBÉM: Impasse: Produtores vivem há 14 anos sob incerteza se moram em área com petróleo PMs amigos que trocaram tiros: Desabafo entre esposas deu início à confusão Árvore centenária: Oliveiras contrabandeadas seriam levadas para o interior de SP Vida pacata As investigações apontam que o foragido entrou no Paraguai usando documentos falsos ainda na época em que cometeu o crime, nos anos 1990. Ele conseguiu, a partir disso, obter registros oficiais no país. Antes de se estabelecer em San Lorenzo, ele viveu na cidade de Concepción, onde conheceu a atual esposa e teve sua filha. Segundo as autoridades paraguaias, Panissa importava produtos do Brasil e distribuía em lojas no Paraguai, mantendo uma rotina considerada comum. O foragido foi preso após uma investigação da Polícia Federal indicar a presença dele em território paraguaio. A polícia deu início a uma investigação que revelou a entrada de Panissa no país com uma identidade falsa e conseguiu localizá-lo por meio do serviço de inteligência. Após monitoramento e confirmação da identidade real, agentes conseguiram prendê-lo em San Lorenzo enquanto ele dirigia um carro. Marcos Panissa foi entregue às autoridades brasileiras. Marcos Landim Segundo a polícia, durante a abordagem Panissa confirmou a identidade verdadeira. Ele foi preso e encaminhado, na noite do mesmo dia, até a Cidade do Leste, onde foi expulso do país e entregue às autoridades da Polícia Federal do Brasil. Segundo a PF, Panissa está em Foz do Iguaçu aguardando decisão judicial sobre em qual unidade prisional irá cumprir pena. Homem teve série de julgamentos O crime aconteceu em 1989, em Londrina, no norte do Paraná. Na época, Panissa confessou ter matado a ex-esposa, Fernanda Estruzani Panissa, por ciúmes, ao não aceitar o fim do relacionamento. Ele tinha 23 anos, e a vítima, 21. Em 1991, Marcos foi condenado a 20 anos e 6 meses de prisão pelo assassinato. Houve um protesto por novo júri — recurso da defesa que permitia um novo julgamento quando a condenação fosse igual ou superior a 20 anos, mas que foi revogado em 2008. No ano seguinte, em um novo julgamento, Panissa foi condenado a 9 anos de prisão. O Ministério Público recorreu e o júri foi anulado com base em uma composição irregular do conselho de sentença e decisão em desacordo com as provas dos autos. Enquanto isso, Panissa respondia ao processo em liberdade. Relembre: Crime que chocou Londrina completa 30 anos sem autor cumprir a pena No dia marcado para o terceiro julgamento, em 1995, ele não compareceu ao tribunal, teve a prisão preventiva decretada e, desde então, estava foragido. Em 2008, uma nova sessão do Tribunal do Júri foi convocada após uma mudança na lei, que permitiu o julgamento à revelia a partir de uma alteração da lei que parou de exigir a presença do réu para o júri. Nesse julgamento, ele foi condenado a 20 anos e 6 meses de prisão. Contudo, a decisão foi reformada para 19 anos e seis meses de prisão em 2010. Como ele estava foragido, a pena não pôde ser cumprida. Em 2018, a juíza Elisabeth Khater destacou no processo que, caso Panissa não fosse encontrado até novembro de 2028, o crime iria prescrever. Na época, a magistrada solicitou à Interpol que prorrogasse a validade do alerta na Difusão Vermelha. VÍDEOS: Mais assistidos do g1 Paraná Leia mais notícias em g1 Oeste e Sudoeste.